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quarta-feira, 19 de outubro de 2011
PROBLEMAS...
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Meio vazio
Cansaço.. é o que sinto
o tempo todo, todo o tempo..
é tudo vazio...
Por isso a cada dia me cerco de coisas inúteis
Fatos fúteis
Palavras, palavras
Tudo fútil, nada útil
Dizer ao vento é não dizer nada
ninguém para ouvir, sentir, pensar
Penso que nada me resta,
nada presta
Então me pego a desenhar,
ilustrar as páginas em branco com cores gritantes,
imaginando as palavras que quero gritar...
Gritar ao mundo, gritar a ele, acordar a mim.
Com um compasso faço um traço e preencho com números
números grandes, pequenos, no fim são contas
contando os dias, semanas, as horas e meses sem você ao meu lado
Lado... de que lado?
De que lado estou?
onde você está?
de que lado devo ficar?
Do lado de quem?
Devo ir pro lado de lá, e partir?
Partir para sempre, sair desse tudo sem nada
Dessa vida de nada que tenho trazido
Megulhar profundo para ver tudo com olhos distantes
Outra forma de olhar para não ver o mesmo...vazio
Ter tudo, ser tudo também é nada se não se está realizada
Tudo e nada é o mesmo que cheio e vazio
Pode-se estar cheio da vida e sentir um imenso vazio de história de vida
Vida, história, cheio, vazio, tudo, nada palavras separadas com sentido, juntas, emboladas, o que importa?
Só levam ao fim, com uma certeza exata
Agrura da alma, profundo abismo..
Estou cheia de um tremendo vazio.
o tempo todo, todo o tempo..
é tudo vazio...
Por isso a cada dia me cerco de coisas inúteis
Fatos fúteis
Palavras, palavras
Tudo fútil, nada útil
Dizer ao vento é não dizer nada
ninguém para ouvir, sentir, pensar
Penso que nada me resta,
nada presta
Então me pego a desenhar,
ilustrar as páginas em branco com cores gritantes,
imaginando as palavras que quero gritar...
Gritar ao mundo, gritar a ele, acordar a mim.
Com um compasso faço um traço e preencho com números
números grandes, pequenos, no fim são contas
contando os dias, semanas, as horas e meses sem você ao meu lado
Lado... de que lado?
De que lado estou?
onde você está?
de que lado devo ficar?
Do lado de quem?
Devo ir pro lado de lá, e partir?
Partir para sempre, sair desse tudo sem nada
Dessa vida de nada que tenho trazido
Megulhar profundo para ver tudo com olhos distantes
Outra forma de olhar para não ver o mesmo...vazio
Ter tudo, ser tudo também é nada se não se está realizada
Tudo e nada é o mesmo que cheio e vazio
Pode-se estar cheio da vida e sentir um imenso vazio de história de vida
Vida, história, cheio, vazio, tudo, nada palavras separadas com sentido, juntas, emboladas, o que importa?
Só levam ao fim, com uma certeza exata
Agrura da alma, profundo abismo..
Estou cheia de um tremendo vazio.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
O último dia de nossas vidas
Todos vivemos o hoje, como se o amanhã fosse certo... Como se todos fossemos imbatíveis, donos de nossa própria vida e senhores da hora de nossa morte.
Fazemos planos, projetos... Temos sonhos...
"Ano que vem vou comprar um carro novo"... "Semana que vem vou fazer escalada e acampar"... "Vou viajar para a Europa nas minhas férias"... "Vou me casar daqui a três anos"... "Terei um filho daqui uns 5 anos"... E assim passamos os nossos dias, as nossas horas e nem imaginamos que somos tão frágeis quanto uma planta qualquer, que pisoteamos no dia-a-dia.
Um belo dia, pela manhã, nos levantamos da cama e não nos sentimos bem. Pensamos ser só um mal estar e logo nos focamos em nossos afazeres diários, até que dias depois sucumbimos a um mal estar inexplicável que nos leva a um Pronto Socorro e lá ficamos sabendo que não é um mal estar passageiro; e que por negligência nossa, um problema de saúde se tornou uma doença grave, quase incurável... E lá estamos nós, os imbatíveis e poderosos, donos de si, nos deparando com a "Dona Morte".
Todos nós sabemos que vamos morrer um dia. Por mais que queiramos, a vida eterna no planeta Terra ainda não é possível. Talvez um dia consigam essa proeza, mas os estudos científicos ainda estão longe disso.
Já conseguiram prolongar e melhorar a qualidade de vida dos seres humanos, mas não descobriram uma formula para se manter vivo e jovem eternamente.
Hoje pensamos mais em trabalhar e adquirir bens e qualidade de vida, do que passar mais tempo com a família e aproveitar os momentos bons que ela tem a oferecer.
Todos nós, sem excessão, estamos mais preocupados em agregar valores a nossa vida do que com o bem estar e o convívio do próximo...
Achamos sempre que dá para deixar isso para depois: "mais a altura", como diz o Português.
NÃO, NÃO DÁ! O hoje nunca retorna, o amanhã pode não existir. E a oportunidade e os momentos de dizer o que se pensa, de externar as emoções pode passar e jamais regressar.
Pode até se dizer as frases: "eu te amo" "adoro vc" "vc é tudo para mim" "penso sempre em ti" "sinto sua falta a cada minuto", mas essas palavras ditas sem o sentimento verdadeiro, sem estar sentindo de verdade, soa falso e é enganoso.
As vezes a vida é mais curta do que pensamos....
Em uma tarde qualquer, você está atravessando a rua e pronto, é atropelado por um veículo a 140km/h, vc já morreu.
Em uma noite aconchegante, vc pensa na vida, faz planos e vai dormir... nunca mais acorda. Planos para que mesmo?
Em um feriado você reunido com a família na beira de uma praia, come um aperitivo contaminado, passa mal e, sem saber que estava sem imunidade, morre no Pronto Socorro por intoxicação alimentar...
Você faz um tratamento prolongado, se prepara para um cirurgia; é operado, passa bem e dois meses depois descobre que foi infectado no hospital por uma bactéria que te causou um câncer no pulmão.
Em algumas situações da vida, em um relacionamento, as pessoas nos aconselham a não dizer nada, em outros momentos a dizer tudo.. não deixar passar o momento certo.
Mas quando é o momento certo para brigar com alguém que amamos? Quando é o momento certo para pedir algo? Qual é o momento certo para pedir apoio e carinho? Um pouquinho de colo?
Quando é o momento certo para gritar ao outro de tanta dor? Qual o momento em que devemos dizer: "tenha respeito pelos meus sentimentos" e "me trate com humanidade"???
É possível ser sincero o tempo todo, dizer o que se pensa e ainda assim o relacionamento sobreviver? A pessoa continuar te amando como antes, da mesma maneira?
Dizem que viver é arriscar... mas seria justo arriscar os relacionamentos em nossas vidas? Nossos amigos, familiares, amores a fins?
A Frase: "é viver ou morrer" é a maior mentira... porque na verdade ninguém escolhe morrer, a não ser que seja louco ou esteja depressivo. Todos querem viver; e mais, NINGUÉM quer envelhecer!
A vida, portanto, não é feita de querer, muito menos de poder... a vida é um milagre, um mistério, um segredo, um acaso com data de validade para se extingüir.
A vida é... FRÁGIL.
A VIDA É NADA!
EU SOU...
Fazemos planos, projetos... Temos sonhos...
"Ano que vem vou comprar um carro novo"... "Semana que vem vou fazer escalada e acampar"... "Vou viajar para a Europa nas minhas férias"... "Vou me casar daqui a três anos"... "Terei um filho daqui uns 5 anos"... E assim passamos os nossos dias, as nossas horas e nem imaginamos que somos tão frágeis quanto uma planta qualquer, que pisoteamos no dia-a-dia.
Um belo dia, pela manhã, nos levantamos da cama e não nos sentimos bem. Pensamos ser só um mal estar e logo nos focamos em nossos afazeres diários, até que dias depois sucumbimos a um mal estar inexplicável que nos leva a um Pronto Socorro e lá ficamos sabendo que não é um mal estar passageiro; e que por negligência nossa, um problema de saúde se tornou uma doença grave, quase incurável... E lá estamos nós, os imbatíveis e poderosos, donos de si, nos deparando com a "Dona Morte".
Todos nós sabemos que vamos morrer um dia. Por mais que queiramos, a vida eterna no planeta Terra ainda não é possível. Talvez um dia consigam essa proeza, mas os estudos científicos ainda estão longe disso.
Já conseguiram prolongar e melhorar a qualidade de vida dos seres humanos, mas não descobriram uma formula para se manter vivo e jovem eternamente.
Hoje pensamos mais em trabalhar e adquirir bens e qualidade de vida, do que passar mais tempo com a família e aproveitar os momentos bons que ela tem a oferecer.
Todos nós, sem excessão, estamos mais preocupados em agregar valores a nossa vida do que com o bem estar e o convívio do próximo...
Achamos sempre que dá para deixar isso para depois: "mais a altura", como diz o Português.
NÃO, NÃO DÁ! O hoje nunca retorna, o amanhã pode não existir. E a oportunidade e os momentos de dizer o que se pensa, de externar as emoções pode passar e jamais regressar.
Pode até se dizer as frases: "eu te amo" "adoro vc" "vc é tudo para mim" "penso sempre em ti" "sinto sua falta a cada minuto", mas essas palavras ditas sem o sentimento verdadeiro, sem estar sentindo de verdade, soa falso e é enganoso.
As vezes a vida é mais curta do que pensamos....
Em uma tarde qualquer, você está atravessando a rua e pronto, é atropelado por um veículo a 140km/h, vc já morreu.
Em uma noite aconchegante, vc pensa na vida, faz planos e vai dormir... nunca mais acorda. Planos para que mesmo?
Em um feriado você reunido com a família na beira de uma praia, come um aperitivo contaminado, passa mal e, sem saber que estava sem imunidade, morre no Pronto Socorro por intoxicação alimentar...
Você faz um tratamento prolongado, se prepara para um cirurgia; é operado, passa bem e dois meses depois descobre que foi infectado no hospital por uma bactéria que te causou um câncer no pulmão.
Em algumas situações da vida, em um relacionamento, as pessoas nos aconselham a não dizer nada, em outros momentos a dizer tudo.. não deixar passar o momento certo.
Mas quando é o momento certo para brigar com alguém que amamos? Quando é o momento certo para pedir algo? Qual é o momento certo para pedir apoio e carinho? Um pouquinho de colo?
Quando é o momento certo para gritar ao outro de tanta dor? Qual o momento em que devemos dizer: "tenha respeito pelos meus sentimentos" e "me trate com humanidade"???
É possível ser sincero o tempo todo, dizer o que se pensa e ainda assim o relacionamento sobreviver? A pessoa continuar te amando como antes, da mesma maneira?
Dizem que viver é arriscar... mas seria justo arriscar os relacionamentos em nossas vidas? Nossos amigos, familiares, amores a fins?
A Frase: "é viver ou morrer" é a maior mentira... porque na verdade ninguém escolhe morrer, a não ser que seja louco ou esteja depressivo. Todos querem viver; e mais, NINGUÉM quer envelhecer!
A vida, portanto, não é feita de querer, muito menos de poder... a vida é um milagre, um mistério, um segredo, um acaso com data de validade para se extingüir.
A vida é... FRÁGIL.
A VIDA É NADA!
EU SOU...
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Lipoaspiração?
Herbert Vianna (Cantor e Compositor)
Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei, nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos lipo-as e muito mais piração?
Uma coisa é saúde outra é obsessão.
O mundo pirou, enlouqueceu.
Hoje, Deus é a auto imagem.
Religião, é dieta. Fé, só na estética.
Ritual é malhação.
Amor é cafona, sinceridade é careta,
pudor é ridículo, sentimento é bobagem.
Gordura é pecado mortal. Ruga é contravenção.
Roubar pode, envelhecer, não.
Estria é caso de polícia.
Celulite é falta de educação.
Filho da p. corrupto bem sucedido é exemplo de sucesso.
A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem?
A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz,
não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem.
Imagem, estética, medidas, beleza.
Nada mais importa.Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria,
o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa.
Não importa o outro, o coletivo. Jovens não têm mais fé, nem idealismo, nem posição política.
Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada.
Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas,
quero ficar legal, quero caminhar, correr, viver muito, ter uma aparência legal mas...
Uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas,
de jovens lipoaspirados, turbinados, aos vinte anos não é natural.
Não é, não pode ser. Que as pessoas discutam o assunto.
Que alguém acorde. Que o mundo mude.
Que eu me acalme. Que o amor sobreviva.
'Cuide bem do seu amor, seja ele quem for'.
Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei, nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos lipo-as e muito mais piração?
Uma coisa é saúde outra é obsessão.
O mundo pirou, enlouqueceu.
Hoje, Deus é a auto imagem.
Religião, é dieta. Fé, só na estética.
Ritual é malhação.
Amor é cafona, sinceridade é careta,
pudor é ridículo, sentimento é bobagem.
Gordura é pecado mortal. Ruga é contravenção.
Roubar pode, envelhecer, não.
Estria é caso de polícia.
Celulite é falta de educação.
Filho da p. corrupto bem sucedido é exemplo de sucesso.
A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem?
A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz,
não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem.
Imagem, estética, medidas, beleza.
Nada mais importa.Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria,
o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa.
Não importa o outro, o coletivo. Jovens não têm mais fé, nem idealismo, nem posição política.
Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada.
Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas,
quero ficar legal, quero caminhar, correr, viver muito, ter uma aparência legal mas...
Uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas,
de jovens lipoaspirados, turbinados, aos vinte anos não é natural.
Não é, não pode ser. Que as pessoas discutam o assunto.
Que alguém acorde. Que o mundo mude.
Que eu me acalme. Que o amor sobreviva.
'Cuide bem do seu amor, seja ele quem for'.
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quinta-feira, 30 de agosto de 2007
O Grito
Minha alma grita, grita o mais alto que pode, mas eu a sufoco com o meu silêncio e complacência. Deixo apenas transparecer o meu leve sorriso que trago nos lábios...
Tenho o grito preso na garganta , meu corpo estremece inteiro ao sufocar essa necessidade... sinto-me sufoca junto com ele, mas nada posso fazer para saciar essa ãncia de sobrevivência e libertação... esse pedido de socorro! E porque não posso? Porque seria interpretado como loucura ou ataque de nervos... ouviria inúmeros conselhos e lições de moral e bons costumes.... depois me entupiriam de remédios calmantes ao ponto de me parecer com um zumbi, ou um gambá bêbado (já pareço louca... então), resumindo, comparando com situações mais reais, igual a um ébrio sem cura.
Nesse mundo não é permitido gritar a plenos pulmões, principalmente em público, a não ser pelos motivos “determinados” pela sociedade, tais como: jogos de futebol (onde se pode até ofender quem nem se conhece), torcidas organizadas de qualquer coisa (principalmente se for para incitar as torcidas rivais), por medo (mais aí existem restrições), entre outras situações. Mas gritar num ato desesperado de sobrevivência pessoal, sentimental e psicológica... ahhhh! Aí não! Aí é loucura mesmo (segundo os ritos sociais).
É por isso que me calo, é por esse motivo que deixo o grito sufocado em mim, preso na minha alma e no meu corpo... apertando meu coração, quase deixando-o sem espaço dentro do meu peito. Fazendo doer....
Tudo isso porquê? Porque quero respirar, quero me libertar dessa paixão que me consome, ou pelo menos ser imune a ela... quando tudo acabar, se acabar... Vivo com a esperança de que nunca acabe e com a dor de não saber o amanhã... Vivo o medo de errar e a amargura de ser só amanhã ou depois. Vivo a expectativa de ter e perder sem realmente ter tido. Vivo de promessas... vivo de sonhos, de reciprocidade, de desejos, de sonhos compartilhados, de amor correspondido. Vivo pelo brilho do olhar, pelo sorriso, vivo das palavras, dos gestos de carinho que me nutrem todos os dias e tornam a minha dor ínfima, pequena e totalmente válida. E isso que me mantém “sóbria”, que me deixa sã.
É um vicio... quando não tenho minha dose diária, a dor se torna imensa, maior do que eu... me tira do sério, me deixa com os nervos a flor da pele, a ponto de libertar o grito e deixar a dor transparecer em incontáveis lágrimas e atitudes impensadas... tenho raiva do mundo, de tudo... não quero nada, não tenho vontade de nada, tudo perde o sentido... nada mais me importa.... sinto uma imensa vontade de pular pro nada, só para ter uma nova sensação, para sentir a adrenalina correr em minhas veias e para poder soltar o grito com toda a força do meu corpo, me fazendo valer dos “motivos sociais”.
Tenho o grito preso na garganta , meu corpo estremece inteiro ao sufocar essa necessidade... sinto-me sufoca junto com ele, mas nada posso fazer para saciar essa ãncia de sobrevivência e libertação... esse pedido de socorro! E porque não posso? Porque seria interpretado como loucura ou ataque de nervos... ouviria inúmeros conselhos e lições de moral e bons costumes.... depois me entupiriam de remédios calmantes ao ponto de me parecer com um zumbi, ou um gambá bêbado (já pareço louca... então), resumindo, comparando com situações mais reais, igual a um ébrio sem cura.
Nesse mundo não é permitido gritar a plenos pulmões, principalmente em público, a não ser pelos motivos “determinados” pela sociedade, tais como: jogos de futebol (onde se pode até ofender quem nem se conhece), torcidas organizadas de qualquer coisa (principalmente se for para incitar as torcidas rivais), por medo (mais aí existem restrições), entre outras situações. Mas gritar num ato desesperado de sobrevivência pessoal, sentimental e psicológica... ahhhh! Aí não! Aí é loucura mesmo (segundo os ritos sociais).
É por isso que me calo, é por esse motivo que deixo o grito sufocado em mim, preso na minha alma e no meu corpo... apertando meu coração, quase deixando-o sem espaço dentro do meu peito. Fazendo doer....
Tudo isso porquê? Porque quero respirar, quero me libertar dessa paixão que me consome, ou pelo menos ser imune a ela... quando tudo acabar, se acabar... Vivo com a esperança de que nunca acabe e com a dor de não saber o amanhã... Vivo o medo de errar e a amargura de ser só amanhã ou depois. Vivo a expectativa de ter e perder sem realmente ter tido. Vivo de promessas... vivo de sonhos, de reciprocidade, de desejos, de sonhos compartilhados, de amor correspondido. Vivo pelo brilho do olhar, pelo sorriso, vivo das palavras, dos gestos de carinho que me nutrem todos os dias e tornam a minha dor ínfima, pequena e totalmente válida. E isso que me mantém “sóbria”, que me deixa sã.
É um vicio... quando não tenho minha dose diária, a dor se torna imensa, maior do que eu... me tira do sério, me deixa com os nervos a flor da pele, a ponto de libertar o grito e deixar a dor transparecer em incontáveis lágrimas e atitudes impensadas... tenho raiva do mundo, de tudo... não quero nada, não tenho vontade de nada, tudo perde o sentido... nada mais me importa.... sinto uma imensa vontade de pular pro nada, só para ter uma nova sensação, para sentir a adrenalina correr em minhas veias e para poder soltar o grito com toda a força do meu corpo, me fazendo valer dos “motivos sociais”.
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